segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Anjo ferido

E se eu pudesse escolher,
optaria pelo silencio...

pois nada tenho a dizer,
alem de palavras,
todas carregadas de amargura.
é inevitável, são imprevisíveis

soam direto ao coração,
ferindo os sentimentos daqueles que amo...
preferiria então ter nascido muda
assim eu não viveria tão só,
pois ainda tenho a delicadeza de minhas mãos,
e com elas queria poder afagar algum rosto triste

e com meus dedos, tomar suas lágrimas como consolo...
até choraria se fosse preciso,
para poder dividir o sentimento de dor...
ainda tenho meus lábios
beijaria sua testa e então diria com um olhar acolhedor,

sempre irei protegê-lo
pois você é meu anjo que caiu do céu
cuidarei de suas asas,
até que elas possam voltar a voar
então para a eternidade, consigo poder me levar...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Vácuo


Sem mais pensar,
ideias voam leves e ágeis como o vento
vão para longe... imprevisiveis...
em seu lugar apenas a oca escuridão
um vácuo profundo invade e domina o ser

palavras soltas atingem e ferem o coração
sem piedade nem ao menos arrependimento
meus pés caminham em direção ao infinito sem parar nem descansar...
piso naquela rosa delicada...
seus finos picos penetram na minha carne frágil
a dor é intensa
o sofrimento agudo atinge o âmago
um grito ensurdecedor quebra o silêncio do escuro ecoa aos quatros cantos no espaço
depois, novamente o silêncio...
a agonia profunda toma conta nos pensamentos
faz crescer lá no fundo da alma uma vontade nunca antes sentida...
um desejo doentio de morte,

se manifesta através das lágrimas
... e escorrem insaciáveis pelo rosto, ardendo as feridas, ali cravadas pelo tempo...